Jornalista de Alagoas é vencedora na categoria televisão do Prêmio Abdias Nascimento
A jornalista Vera Valério, da TVE de Maceió (AL), foi a vencedora na categoria televisão do Prêmio Jornalista Abdias Nascimento. A autora da reportagem Quilombolas recebeu o troféu das mãos da jornalista Glória Maria, da TV Globo. Os premiados só foram anunciados na noite de segunda-feira (7/11) durante a cerimônia de entrega dos troféus, realizada no Teatro Oi Casa Grande, no Rio de Janeiro.
O evento foi apresentado pelos jornalistas Flávia Oliveira e Rogério Coutinho. A direção artística foi de Luis Antônio Pilar. A premiação distribuiu R$ 35 mil em sete categorias (Televisão, Mídia Impressa, Rádio, Midia Alternativa ou Comunitária, Internet, Fotografia e Es pecial de Gênero). Suzana Blass, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Municipio do Rio de Janeiro (SJPMRJ) pediu um minuto de silêncio pelo cinegrafista Gelson Domingos, morto no domingo (6/11) na favela de Antares, na zona oeste carioca.
O primeiro vencedor anunciado foi o repórter fotográfico Domingos Peixoto, do Jornal O Globo (RJ), pela foto Diploma de Alforria. A imagem registra a primeira turma de ensino médio dentro uma comunidade quilombola do país, o Quilombola Kalunga, no sertão de Goiás.
Na categoria Mídia Alternativa ou Comunitária, os contemplados foram os jornalistas Eduardo Sales e Jorge Toledo, com a reportagem Supermercado ou Pelourinho?, do Jornal Brasil de Fato (SP). A matéria apresenta denúncias de racismo em três grandes redes de supermercado. Por decisão da Comissão Julgadora, a reportagem Um quilombo no paraíso carioca, do jornalista Leandro Uchoas, do mesmo jornal, foi a condecorada com Menção Honrosa nesta categoria.
Já na categoria Internet, os premiados foram os jornalistas Carolina Pimentel, Daniella Jinkings, Gilberto Costa, Vladimir Platonow e Wellton Máximo, da Agência Brasil, pela série especial Consciência Negra. O trabalho traçou um perfil da população negra e pontuou desafios nas áreas de educação, de saúde, de direitos humanos e no mercado de trabalho.
Os jornalistas Eduardo Copan e Leandro Lacerda, da Rádio CBN (RJ), receberam o troféu na categoria Rádio, pela reportagem O preconceito cronometrado. A matéria denuncia a diferença dada a homem branco e um homem no negro na cidade do Rio de Janeiro. Na categoria Mídia Impressa, venceu a série Negra Brasília, sobre a segregação espacial e social na capital do país, da repórter Conceição Freitas, do jornal Correio Braziliense.
Mulheres Negras, de Célia Regina, da Revista Raça Brasil, foi a reportagem vencedora na categoria Especial de Gênero Jornalista Antonieta de Barros. O trabalho relata experiências femininas bem-sucedidas no mercado de trabalho, considerando as dificuldades impostas pelo racismo e pelo machismo.
Os vencedores das sete categorias da 1º edição do Prêmio Nacional Jornalista Abdias Nascimento levam para casa um cheque de R$ 5 mil, além de um pequeno troféu criado pela artista gráfica Maria Julia Ferrereira representando a luta do intelectual, político e artista que batiza o prêmio. Abdias Nascimento falecido este ano, aos 97 anos, foi representado na cerimônia pela viúva Elisa Larkin Nascimento.
Lançado em maio, o prêmio recebeu 150 trabalhos de todo o país, publicados ou veiculados entre janeiro de 2009 e abril de 2011. Participaram candidatos dos jornais Estado de S. Paulo, da Folha de S. Paulo, do Jornal Extra, do Diário do Nordeste, do Jornal da Tarde, do Canal Futura, da TV Câmara, do Portal IG, da Revista Época, da Revista Carta Capital, entre outros.
A iniciativa é do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, por meio da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-Rio). O patrocínio é da Fundação Ford, Fundação W.Kellogg e da Oi. Conta ainda com o apoio da Superintendência de Igualdade Racial do Estado do Rio de Janeiro (Supir) e do Conselho Estadual dos Direitos dos Negros (Cedine) e tem a parceria com a Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), o Centro de Informações das Nações Unidas no Brasil (Unic-Rio), a ONU Mulheres e o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (IPEAFRO).
Veja as fotos da premiação aqui.
Confira a fotografia e as reportagens premiadas:
- Fotografia:
Domingos Peixoto, Diploma de Alforria. Jornal O Globo -RJ
- Mídia Alternativa ou Comunitária:
Eduardo Sales e Jorge Américo, Supermercado ou Pelourinho. Jornal Brasil de Fato-SP
Menção Honrosa:
Leandro Uchoas, Um quilombo no paraíso carioca. Jornal Brasil de Fato-SP
- Internet:
Carolina Pimentel, Daniella Jinkings, Gilberto Costa, Vladimir Platonow e Wellton Máximo, Série Especial Consciência Negra. Agência Brasil – DF
- Rádio:
Eduardo Compan e Leandro Lacerda, O Preconceito Cronometrado. Rádio CBN-RJ
- Mídia Impressa:
Conceição Freitas, Série Negra Brasília. Correio Braziliense – DF
- Especial de Gênero Jornalista Antonieta de Barros:
Célia Regina, Mulheres Negras. Revista Raça Brasil
- Televisão:
Vera Valério, Quilombola. TV Educativa-AL
Leia abaixo o artigo publicado no blog Clica Brasília, do jornalista Sionei Leão, que sintetiza o que foi o momento da premiação e a importância deste projeto para o jornalismo brasileiro.
http://www.clicabrasilia.com.br/site/blogs/identidade/index.php?blog=13&mes=&pagina=2
"O Nascimento e a Trindade"
Por Sionei Ricardo Leão*
O Prêmio Abdias Nascimento realizado no início do mês de novembro, deste ano (2011), pela Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do Rio de Janeiro (Cojira-RJ), simbolizou a união de três conceitos: igualdade racial, política sindical e jornalismo.
Pelas mãos dos membros da Cojira-RJ essa tríade se traduziu num resultado interessante e alvissareiro. Importante salientar que a depender das mãos que se propõem a costurar essas idéias, pode emergir um ogro ou uma beldade.
A sabedoria popular receita que a diferença entre o remédio e o veneno se dá pela dosagem escolhida pelo químico.
Na minha percepção, o que se viu no dia 7 de novembro foi a o resultado de uma empreitada audaciosa, inovadora e bem executada.
A Cojira-RJ com a atividade postula ingresso no clube das entidades que ousam avançar do nível da denúncia e o da reprodução de idéias e comportamentos ao seleto espaço dos que realizam.
Ou melhor, daqueles coletivos que têm auto-estima, coragem e foco suficientes para atravessar essa distância imensa: cruzar a via para andar na calçada dos que assumem riscos a fim de oferecer à sociedade projetos estruturantes.
Conhecemos as reticências e avaliações negativas que ativistas e organizações de igualdade racial têm feito à grande imprensa brasileira. Isso tem ocorrido muito em razão de coberturas desfavoráveis a duas bandeiras estratégicas para essa militância, ou seja, a política de reserva de vagas para afrodescendentes em instituições de ensino superior (as cotas) e a questão fundiária do segmento quilombola.
O espaço da política sindical dos jornalistas também vinha sendo, em alguma medida, desdenhado por parte dessa mesma militância de igualdade racial. Em alguma medida por se entender que essa vertente, historicamente, foi terreno imberbe e lento para assimilar as demandas da luta anti-racismo.
A abertura de centrais sindicais e suas entidades filiadas, ao tema igualdade racial, convenhamos, é recente.
Quando se trata do ambiente das redações a desconfiança não é menor. São muitos os editores refratários a pautas que tenham a ver com essa temática.
É também comum o fenÿmeno de profissionais de imprensa afrodescendentes que evitam se envolver com essa causa por temerem que a imagem de militante os fragilize na disputa árida para se manter e prosperar na profissão.
Há também no ambiente sindical do jornalismo uma prática no mínimo surpreendente. Por vezes dos deparamos com discursos e análises depreciativas a profissionais que atuam na grande imprensa, comentários motivados por visões ideológicas.
Ocorre que ao menos, formalmente, os sindicatos foram criados para defender e não atacar jornalistas, a não ser que incorram em faltas éticas.
A Cojira-RJ tinha essas e outras variáveis pelo caminho, ao decidir por realizar o Prêmio Abdias Nascimento.
Para quem teve a oportunidade de assistir a premiação ficou a imagem de que a Cojira-RJ, habilmente, conseguiu dialogar com bom desempenho ante a tantos desafios.
O bom número de inscrições demonstrou que a ideia foi oportuna e tem vocação pela continuidade. A presença de tantos militantes “históricos” como estranhamente alguns ativistas gostam de ser classificados foi outra vertente dessa adesão.
A Cojira-RJ, igualmente, demonstrou maturidade ao convidar “estrelas” da grande imprensa como a jornalista Glória Maria e a colunista Flávia Oliveira, para ocuparem o palco da premiação.
Tanto Glória quanto Flávia são afrodescendentes que ocupam espaços importantes no jornalismo televisivo, mas que não são militantes “orgânicas” do Movimento Social Negro. A Cojra-RJ não cedeu a apelos sectários.
Participar desse momento foi um privilégio e um alento por ver no Prêmio Abdias Nascimento o despertar de uma ação política que rompe barreiras e constrói novas etapas da luta pela igualdade racial.
Coincidem as três idéias do início do texto com a militância de três pessoas que são ícones da Cojira-RJ (sem qualquer desdém à importância de outros membros): Angélica Basthi (coordenadora-geral do projeto), Miro Nunes e Sandra Martins.
*Sionei Ricardo Leão viajou, no dia 7 de novembro, à cidade do Rio de Janeiro, a convite da Cojira-RJ, para assistir a solenidade de entrega do Prêmio Abdias Nascimento.
Prêmio Abdias: vencedores serão
definidos no dia da premiação
O Prêmio Nacional Jornalista Abdias Nascimento anunciará na próxima segunda-feira (7) os vencedores desta 1º edição. O evento será no Teatro Oi Casa Grande, no Leblon (RJ), às 18h30 e contará com a participação de nomes renomados do jornalismo brasileiro como Glória Maria, Flávia Oliveira, Rogério Coutinho e Sidney Resende, além de shows do cantor Augusto Bapt, vocalista do Caixa Preta, e do lendário Gerson King Combo acompanhado da banda Supergroove.
Os ganhadores serão conhecidos somente no dia da premiação e divulgados durante a cerimônia. Pela manhã, a Comissão Julgadora estará reunida a portas fechadas para decidir quem serão os vencedores dos R$ 35 mil distribuídos nas categorias Mídia Impressa, Televisão, Rádio, Internet, Mídia Alternativa ou Comunitária, Fotografia e Especial de Gênero Jornalista Antonieta de Barros.
Objetivos do Prêmio
O Prêmio Nacional JORNALISTA ABDIAS NASCIMENTO tem o propósito de estimular a produção de conteúdos jornalísticos que contribuam para a prevenção, o combate e a eliminação de todas as formas de manifestação do racismo e da discriminação racial.
O prêmio também se propõe a incentivar a cobertura jornalística sobre o combate às desigualdades raciais no Brasil, além de impulsionar nas redações em todo o país a prática de um jornalismo plural com foco na promoção da igualdade racial.
Um das metas principais é valorizar as iniciativas no jornalismo brasileiro que estejam contribuindo para a compreensão do racismo como um problema estrutural no campo das desigualdades e dar visibilidade às soluções inovadoras para a superação do racismo no país.
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